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sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Denúncia do Greenpeace confirmada pelo governo!‏

Nos últimos dias, a imprensa brasileira divulgou a notícia confirmando a denúncia feita pelo Greenpeace de que pessoas e animais da região de Caitité, na Bahia, estão tomando água contaminada por urânio!
O Instituto de Gestão de Águas e Clima (Ingá) do governo da Bahia divulgou, na semana passada, os resultados de amostras coletadas na área de influência direta da mina de urânio e da instalação da INB (Indústrias Nucleares Brasileiras) em Caetité. Em uma delas, a concentração de urânio na água está 5 vezes acima dos limites permitidos pela legislação brasileira.
A denúncia do Greenpeace foi resultado de meses de pesquisas e análises - e esse trabalho só foi possível graças ao apoio de pessoas como você!
Depois de sair de Caetité, o urânio vai para fora do Brasil para ser enriquecido e volta em forma de combustível para abastecer as usinas de Angra I e II. E, se depender do governo brasileiro, Angra III também. Veja aqui o ciclo completo do combustível nuclear.
Com esse caso, mostramos que os perigos e impactos da energia nuclear começam na mineração do urânio e culminam no lixo radioativo que sai das usinas nucleares de Angra dos Reis.
Vamos continuar lutando para manter as energias sujas, como a nuclear, fora da matriz energética brasileira. E contamos com o seu apoio. Junte-se a nós!
Um grande abraço,

HINO NACIONAL BRASILEIRO

O Hino Nacional Brasileiro

(Revista Nova Escola - Agosto de 1997)

Para muitos, o Hino Nacional não empolga os alunos por ter uma letra complexa, que exige esforço para ser entendida. A professora Laura Cristina de Paula acha que é isso que o torna atraente. "Além do desafio de entender o seu significado, a letra permite dar uma rica aula de Português", diz ela, que leciona para a 7ª e 8ª série da Escola Caio Pereira, em Recife (PE). Laura usou o livro O Hino Nacional Brasileiro (Aldo Pereira, 32 páginas, Grifo, tel. 021-240-7806) para elaborar sua aula.

Autor de um livro sobre o Hino Nacional, o jornalista Aldo Pereira propõe que sua letra seja lida na ordem direta para uma melhor compreensão. Ele fez, também, um glossário com as palavras menos conhecidas.




A versão no original...

I
Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.
Se o penhor desta igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó Liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.
Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza.
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada, Brasil!
II
Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!
Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
"Nossos bosques têm mais vida,"
"Nossa vida" no teu seio "mais amores".
Ó Pátria amada...
Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro dessa flâmula
- Paz no futuro e glória no passado.
Mas, se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.
Terra adorada...


... e na ordem direta

I
As margens plácidas do Ipiranga ouviram
o brado retumbante de um povo heróico,
e, nesse instante, o sol da Liberdade
brilhou, em raios fúlgidos, no céu da Pátria.
Se conseguimos conquistar com braço forte
o penhor desta igualdade,
em teu seio, ó Liberdade, o nosso peito
desafia a própria morte!
Ó Pátria amada,
idolatrada,
salve! salve!
Brasil, se a imagem do Cruzeiro resplandece
em teu céu formoso, risonho e límpido,
um sonho intenso, um raio vívido
de amor e de esperança desce à terra.
És belo, és forte, impávido colosso,
gigante pela própria natureza,
e o teu futuro espelha essa grandeza.
Ó Pátria amada,
Brasil, [apenas] tu,
entre outras mil [terras],
és terra adorada!
Pátria amada, Brasil,
és mãe gentil dos filhos deste solo!
II
Ó Brasil, florão da América,
deitado eternamente em berço esplêndido,
ao som do mar e à luz do céu profundo,
fulguras iluminado ao sol do Novo Mundo!
Teus campos lindos, risonhos, têm mais flores do que a terra mais garrida; [e assim como] "nossos bosques têm mais vida," [também] "nossa vida" no teu seio [tem] "mais amores".
Ó Pátria amada...
Brasil, o lábaro estrelado que ostentas
seja símbolo de amor eterno,
e o verde-louro dessa flâmula diga:
- Paz no futuro e glória no passado.
Mas, se ergues a clava forte da justiça,
verás que um filho teu não foge à luta,
quem te adora nem teme a própria morte.
Terra adorada...



Glossário:
. Margens plácidas - "Plácida" significa serena, calma. Esse é o tom desses versos. Ao contrário do hino de outras nações, o nosso não fala em guerras
. Ipiranga - É o riacho junto ao qual D. Pedro I teria proclamado a independência. O Ipiranga nasce junto ao zoológico da cidade de São Paulo
. Brado retumbante - Grito forte, que provoca eco
. Penhor - Usado de maneira figurada, "penhor desta igualdade" é a garantia, a segurança de que haverá liberdade
. Imagem do Cruzeiro resplandece - O "Cruzeiro" é a constelação do Cruzeiro do Sul, que brilha, ou resplandece, no céu
. Impávido colosso - "Colosso" é o nome de uma estátua de enormes dimensões. Estar "impávido" é estar tranqüilo, calmo
. Mãe gentil - A "mãe gentil" é a pátria. Um país que ama e defende seus "filhos", os brasileiros, como qualquer mãe
. Florão - "Florão" é um ornato em forma de flor usado nas abóbadas de construções grandiosas. O Brasil seria o ponto mais importante e vistoso da América
. Garrida - Enfeitada, que chama a atenção pela beleza
. Lábaro - "Lábaro" era um antigo estandarte usado pelos romanos. Aqui é sinônimo de bandeira
. Clava forte - Clava é um grande porrete, usado no combate corpo-a-corpo. No verso, significa mobilizar um exército, entrar em guerra.

POR QUE A COCA COLA TE FAZ ALEGRE?

Já imaginou o que acontece com seu organismo depois de tomar uma Coca-Cola geladinha? Veja aqui, passo-a-passo, o que ocorre após ingerir Coca-Cola.

Você já imaginou porque a Coca-Cola te deixa alegre? É porque ela te deixa meio "alto", se é que vocês me entendem. Eles tiraram a cocaína da fórmula há quase 100 anos, sabe porque? Porque ela era totalmente redundante.

10 minutos- Uma quantidade parecida com 10 colheres de chá de açúcar golpeiam seu organismo (100% da recomendação diária). Com essa quantidade de açúcar, você só não vomita imediatamente porque o ácido fosfórico quebra o enorme sabor de açúcar, permitindo que a Coca não fique tão doce.

20 minutos - O açúcar do seu sangue aumenta, causando uma explosão de insulina. Seu fígado responde transformando todo o açúcar em gordura (que nesse momento é abundante).

40 minutos - A absorção de cafeína está completa. Suas pupilas dilatam, sua pressão aumenta e, como resposta, seu fígado joga mais açúcar em sua corrente sanguínea. Os receptores de adenosina no seu cérebro são bloqueados, evitando que você fique entorpecido.

45 minutos - Seu corpo aumenta a produção de dopamina, estimulando os centros de prazer do seu cérebro. Fisicamente, é exatamente isso que acontece se você tomar uma dose de heroína.

60 minutos - O ácido fosfórico prende o cálcio, o magnésio e zinco no seu intestino grosso, provocando um aumento no metabolismo. Essa junção é composta por altas doses de açúcar e adoçantes artificiais. Isso também faz você eliminar cálcio pela urina.

65 minutos - A propriedade diurética da cafeína começa a agir, e faz você ter vontade de ir ao banheiro. Agora é certo que você ira defecar a junção de cálcio, magnésio e zinco; que deveriam ir para seus ossos, assim como o sódio e a água.

70 minutos - O entusiasmo que você sentia, passa. Você começa a sentir falta de açúcar, que faz você ficar meio irritado e/ou com preguiça. Essa hora você já urinou toda a água da Coca, mas não sem antes levar junto alguns nutrientes que seu corpo iria usar para hidratar o organismo e fortalecer ossos e dentes.

Isso tudo será seguido por uma enorme falta de cafeína em poucas horas. Menos de duas, se você for fumante.

Mas não tem problema, toma outra Coca-Cola aí que vai fazer você se sentir melhor.

Defenda o Congo‏

O povo do Congo precisa da nossa ajuda. Nas últimas semanas mais de 200.000 pessoas foram removidas de suas casas, e o nível de assassinatos e estupros estão críticos. Famílias tentam se salvar da brutalidade tanto dos rebeldes quanto do exercito do Congo. A missão da ONU no Congo não pode proteger os civis e enquanto você está recebendo este email, famílias estão fugindo tanto dos rebeldes quanto do exército congloês, sem comida nem abrigo. Esta é uma tragédia humana em proporções inimagináveis.

A África tem um grande papel diplomático, mas só a Europa pode prover uma força de proteção bem equipada, neutra e rápida. Porém, no começo da semana os ministros das relações externas da Europa declararam que é cedo para agir. O engajamento europeu pode deter os grupos armados e pressionar o Congo e países vizinhos para amenizar o desastre humanitário, tornando a paz possível. A crise não será solucionada por meios militares, porém precisamos de proteção imediata para os civis não só para deter a violência como para possibilitar um acordo político em termos justos.

A lição deixada pela Ruanda é intervir antes do desastre, porém os políticos europeus se esqueceram disso. O povo do leste do Congo precisa de nós urgentemente, por isso precisamos pressionar os líderes europeus e globais. Clique no link para participar depois encaminhe este alerta para seus amigos e familiares – nossa mensagem será entregue diretamente para líderes europeus e publicada em jornais da Europa. A situação piora a cada dia que passa. Quanto mais gente participar, melhor poderemos convencer o líderes europeus de que o mundo conta com eles para proteger o povo congolês. Assine a petição:

http://www.avaaz.org/po/global_action_on_congo/

O choque recente entre as milícias do General Nkunda e o exército do Congo é mais um incidente numa longa história de terror e brutalidade sofrida pelo povo congolês pelas mãos dos grupos armados. Mais de 5 milhões de pessoas foram mortas. Este conflito foi chamado de “Guerra Mundial da África” envolvendo a Ruanda, Uganda, Zimbábue, Angola e Namíbia, por causa dos recursos minerais da região.

O exercito do Congo está trabalhando com forças Hutus ligados ao genocídio da Ruanda e em retorno o exercito da Ruanda está apoiando o General Nkunda para pressionar o governo do Congo a entregar as milícias Hutus. Há ainda alegações de que tropas da Angola e do Zimbábue estão a caminho para lutar com o exército do Congo. Cada um tem seu próprio interesse e todos usam o massacre, estupro e terror da população civil como arma. Não há dúvida que a diplomacia africana está falhando, por isso é preciso uma força externa e neutra.

A Missão das Nações Unidas no Congo (MONUC) é manter a paz, porém eles declararam recentemente que não podem proteger a população civil. Segundo fontes confiáveis a MONUC está desesperada por um apoio da Europa para fazer o que eles não são capazes de fazer e restaurar a legitimidade das forças de paz depois de perderem a credibilidade por lutarem ao lado do exército do Congo e serem acusados de apoiarem milícias pró-governo.

A solução em longo prazo é dar legitimidade à comunidade internacional na implementação dos acordos de paz e no confronto à raiz do problema. Porém se em curto prazo a Europa enviar uma força de paz neutra para proteger os civis, os interesses políticos não serão mais definidos por quem é mais brutal e violento, mudando as regras do jogo e possibilitando um acordo político mais justo. Não podemos perder a chance de parar o terror no Congo e para isso nossos representantes Europeus precisam agir. Clique abaixo assinar a petição:

http://www.avaaz.org/po/global_action_on_congo/

Com esperança,

Paul, Alice, Pascal, Ricken, Ben, Paula, Brett, Graziela, Iain and Milena – a equipe Avaaz

Leia mais sobre o assunto:

Leste do Congo mergulha num caos selvagem:
http://dn.sapo.pt/2008/11/02/internacional/leste_congo_mergulha_caos_selvagem.html

Combates agravam situação humanitária no Congo:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u465698.shtml

Conflito no Congo pode estar se 'internacionalizando':
http://ultimosegundo.ig.com.br/bbc/2008/11/13/conflito_no_congo_pode_estar_se_internacionalizando_2111975.html

Congo acusa ONU de não impedir mortes de civis:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/11/081107_congoinvestiga_mp.shtml

ONU acusa rebeldes e governistas no Congo de crime de guerra:
http://ultimosegundo.ig.com.br/bbc/2008/11/09/onu_acusa_rebeldes_e_governistas_no_congo_de_crime_de_guerra_2104473.html

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domingo, 9 de novembro de 2008

Felicidade Interna Bruta (FIB), ou a medida de progresso dos seres humanos, e não do dinheiro

Apesar de ser usado mundialmente para medir o desempenho econômico dos países, o Produto Interno Bruto (PIB) é um índice capenga. Destruir a Amazônia e transformá-la em móveis, pasto e plantação de soja, por exemplo, parece um bom negócio. Isso faz aumentar o PIB, pois ele só leva em conta a riqueza gerada pelos produtos, ignorando a perda dos recursos naturais e os desastres sociais que essas atividades provocam.

Há várias tentativas em todo o mundo de criar índices que possam medir o quanto uma sociedade está evoluindo, de maneira sustentável, na direção de proporcionar uma vida digna e confortável a todos os seus integrantes. Um deles é o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), usado pela Organização das Nações Unidas, que leva em conta o PIB per capita, a longevidade das pessoas e sua educação (avaliada pelo índice de analfabetismo e pelas taxas de matrícula nos vários níveis de ensino). O IDH foi criado pelo economista paquistanês Mahbub ul Haq (1934-1998), que foi diretor de Planejamento de Políticas do Banco Mundial e organizador do primeiro Relatório de Desenvolvimento Humano da ONU, e pelo indiano Amartya Sen, que recebeu o Prêmio Nobel de Economia em 1998.

Mas foi no minúsculo Butão, país encravado na Ásia aos pés da Cordilheira do Himalaia, que surgiu, há mais de trinta anos, o conceito de Felicidade Interna Bruta (FIB), que engloba não só o crescimento econômico, mas também as dimensões sociais, ambientais, espirituais e culturais do desenvolvimento. Na I Conferência Nacional sobre FIB, realizada no final de outubro, em São Paulo, Karma Dasho Ura, coordenador das pesquisas sobre a FIB no Butão, explicou como é composto esse índice: "Analisamos as 73 variáveis que mais contribuem para a meta de atingir o bem-estar e a satisfação com a vida".

Essas variáveis estão abrigadas em nove itens gerais:
1. Bom padrão de vida econômico
2. Gestão equilibrada do tempo
3. Bons critérios de governança
4. Educação de qualidade
5. Boa saúde
6. Vitalidade comunitária
7. Proteção ambiental
8. Acesso à cultura
9. Bem-estar psicológico

Para Dasho Ura, "a felicidade das pessoas deve ser o objetivo das políticas públicas do governo". Também presente no congresso, Susan Andrews, psicóloga e antropóloga americana radicada no Brasil, apresentou exemplos de como a busca pelo crescimento puro e simples pode ser uma boa escolha para os números da economia, mas um péssimo caminho na vida dos cidadãos. "Nos Estados Unidos, desde 1950, o PIB aumentou três vezes", contou. "Nesse período, o índice de crimes violentos quadruplicou e aumentou o número de pessoas deprimidas e de suicídio entre adolescentes", comparou. "Várias pesquisas mostram que o ápice da felicidade, nos Estados Unidos, foi durante a década de 1950. De lá para cá, houve degradação não no plano material, mas no imaterial".

Outro palestrante no evento foi Michael Pennock, diretor do Observatório para Saúde Pública em Vancouver, no Canadá, que expôs uma situação semelhante em seu país. "Estamos ficando mais prósperos, mas perdendo a sensação de vida em comunidade. Não somos mais felizes e estamos destruindo o planeta", disse ele. Ao informar que está em desenvolvimento o Índice Canadense de Bem-Estar, baseado na estrutura da FIB, Pennock afirmou: "Precisamos repensar nossas noções básicas de progresso, pois, a partir de certo ponto, a prosperidade não traz o aumento da felicidade nem do bem-estar".

"O que é prosperidade?"

por José Eli da Veiga*
Antes que alguma coisa possa ser medida, deve haver algum consenso sobre sua própria definição. Por mais lógica que possa parecer tal afirmativa, não é o que mostra a experiência, e mostra com fina ironia. Costuma ocorrer exatamente o inverso: a definição é que resulta do modo que acaba sendo selecionado e convencionado para se mensurar.

Caso patente é o da prosperidade, valor comum a amplíssima gama de sociedades e culturas, oqual só foi consensualmente definido no chamado Ocidente em meados do século passado, ao serem adotadas nas Nações Unidas as convenções necessárias para o surgimento de um sistema padronizado de contabilidade nacional. E se o produto interno bruto (PIB) per capita emergiu como o indicador preferido, foi apenas porque uma opção muito melhor, como o produto nacional líquido (PNL), envolvia sérios obstáculos para os cálculos estimativos das amortizações, sem que apresentasse evolução discrepante. Para que complicar, se o nacional líquido mudava em paralelo ao interno bruto?

Todavia, com a intensa globalização e a expansão do setor terciário, tal paralelismo deixou de existir. Além disso, as crescentes preocupações ambientais não mais permitem que se ignore a depreciação do patrimônio natural. Então, mesmo que a prosperidade continue a ser definida pelas contas nacionais (o que não é fatalidade), será inevitável a substituição do PIB por um indicador que poderá ser apelidado de "PNL verde". E, mesmo assim, nada garante que tal medida possa realmente revelar aquilo que está no âmago da idéia de prosperidade: a melhora real da condição de vida das populações.

Essas foram algumas das razões básicas que levaram à identificação dos nove desafios a ser enfrentados pelo grupo de trabalho presidido por Enrico Giovannini, chefe da área de estatísticas da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), um time encarregado de abordar "clássicos problemas do PIB", o primeiro dos três temas em torno dos quais foi organizada a chamada Comissão Stiglitz - Comissão sobre a Mensuração do Desempenho Econômico e do Progresso Social (CMDEPS):
1) Migrar do PIB para a renda real líquida disponível para o conjunto da economia e para os domicílios, levando em conta depreciações, depleção dos recursos, degradação ambiental e transferências dentro e fora da economia, assim como índices de preços apropriados;
2) Calcular a renda real disponível por unidade de consumo (domicílio corrigido) para diferentes grupos de renda e comparando médias a medianas;
3) Para saúde, educação e outros serviços não-mercantis, inclusive os garantidos pelo governo, obter medidas de volume e de preços baseadas em outputs;
4) Comparar a rendas aos ganhos e perdas de capital;
5) Considerar o trabalho doméstico não-remunerado, inclusive em termos de desigualdades;
6) Comparar trabalho doméstico não-remunerado e lazer;
7) Considerar a educação como bem de investimento para a construção de capital humano, assim como sua depreciação;
8) Avaliar a segurança, particularmente quando garantida pelo setor público;
9) Considerar todas as despesas defensivas, inclusive gastos privados com segurança.

De forma tão telegráfica, esses nove pontos não podem dar ao leitor uma boa idéia das tarefas do grupo. Mas eles certamente são suficientes para que se perceba qual é o grau de consciência sobre o anacronismo da identificação da prosperidade com o PIB per capita. Pelo menos entre os estatísticos e os economistas que elaboraram a lista. Agenda de trabalho que também parece anunciar uma eventual redefinição de prosperidade, não mais vinculada exclusivamente a avaliações de desempenho econômico, mas também aos benefícios que dele se espera em termos de "qualidade de vida".

É claro que essa alternativa não poderia ser o atual Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o indicador concorrente que obteve legitimidade. Principalmente porque uma de suas três dimensões é justamente aferida por versão ligeiramente corrigida do próprio PIB per capita, o que reproduz todos os problemas citados. É por causa disso que o IDH chega a sugerir a existência de um mesmo grau de prosperidade em situações tão simétricas quanto a dos Emirados Árabes Unidos (EAU) e a do Chile, classificados em 39º e 40º lugares entre os países de mais alto desenvolvimento no último Relatório de Desenvolvimento Humano, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). De fato, em 2005 esses dois países empatavam na esperança de vida ao nascer: 78,3 anos. Mas o Chile estava muito mais avançado em termos educacionais, com 83% de escolarização, contra apenas 60% nos EAU. E, mesmo assim, foi o IDH dos Emirados (0,868) que ficou ligeiramente superior ao do Chile (0,867), por terem mais do que o dobro de PIB per capita: US$ 25.514 contra US$ 12.027 PPC.

Sabe-se que o Pnud está empenhado em profunda revisão das metodologias utilizadas nos cálculos de seus índices, para que a partir de 2010 o desenvolvimento, a pobreza e algumas desigualdades venham a ser aquilatados de forma mais razoável. Pode-se esperar, então, que seus técnicos tirem grande proveito do relatório final da CMDEPS, que deverá estar pronto em meados de 2009. E que ainda antes também possam se beneficiar dos resultados de um ambicioso projeto do governo britânico, cujo propósito explícito é redefinir a prosperidade.

Forçoso constatar, portanto, que não há resposta simples, e muito menos definitiva, para a indagação que intitula este artigo. O que as ponderações acima parecem evidenciar é a importância que poderia ter um acompanhamento sistemático desses trabalhos por uma rede que viesse a se formar no Brasil, articulando pesquisadores das universidades e do sistema nacional de estatísticas liderado pelo IBGE. Para observar não apenas as três já mencionadas iniciativas oficiais, como também duas bem mais antigas: a ONG Redefining Progress, dos EUA, que já tem quase quinze anos e cuja missão é redefinir o progresso, e o coletivo associativo Collectif "Richesses", fundado há oito anos na França, voltado para a reconsideração do que se entende por riqueza

Depois de 8 longos anos de Bush, chegou a hora de um novo começo!

Há muitos interesses em jogo na política americana, mas a vitória do Obama simboliza uma nova chance para os EUA se aliarem à comunidade global para encarar desafios urgentes como mudanças climáticas, direitos humanos e paz.

Depois de uma longa história de decepções com o governo norte-americano, o Obama despertou um sentimento de esperança e reconciliação nunca visto antes. Vamos enviar uma mensagem parabenizando e convidando o novo presidente e o povo norte-americano a trabalharmos juntos pelos desafios enfrentados no nosso planeta.

Nós construímos um enorme mural perto da Casa Branca em Washington DC onde vamos postar o número de assinaturas da nossa mensagem e colar mensagens pessoais recebidas do mundo todo. Quanto mais mensagens forem enviadas, mais o mural vai crescer dentro das próximas horas. Nós pedimos para o Obama receber pessoalmente nossas mensagens, por isso vamos tentar conseguir 1 milhão de assinaturas! Clique no link para ver a mensagem que escrevemos ou escrever a sua própria:

http://www.avaaz.org/po/million_messages_to_obama

Este é um momento de celebração mas as mudanças não serão fáceis: a indústria do petróleo, da guerra e o lobby conservador são bem fortes nos EUA. O mesmo grupo poderoso que planejou a guerra no Iraque está se preparando para deter as mudanças propostas pelo novo governo. O Obama prometeu trabalhar pela integração nacional, mas não podemos permitir que ele ceda aos conservadores em troca de conchavos políticos.

Vamos enviar uma mensagem de incentivo ao Obama, lembrando-o de se manter firme nos assuntos globais mais urgentes. Contamos com o cumprimento das promessas de campanha, que defenderam um tratado forte contra as mudanças climáticas, o fim da tortura e o fechamento do presídio de Guantanamo, o estabelecimento de um plano cuidadoso para a retirada das tropas do Iraque e a duplicação dos recursos destinados ao combate à pobreza global. Nunca antes na história um presidente norte-americano esteve tão aberto para nos escutar.